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motivo_46_/ PELA IDENTIDADE CARIOCA_/

Eu amo o Rio, descontraído, misturado, onde as classes sociais dividem os mesmos espaços. Temos que resistir à descaracterização da nossa cidade, do próprio espírito carioca!
Sou filha de diplomata, morei em várias cidades do mundo, espalhadas por quatro continentes. Tenho muitos amigos lá fora e não consigo deixar de olhar para a minha terra, que eu amo, sem imaginar como ela se compara com outros lugares, sem tentar entender os seus processos num contexto global.
Por isso tenho prestado muita atenção nos movimentos que têm tomado as ruas de capitais internacionais, os indignados da Espanha, o Occupy nos EUA… O mundo que nós invejávamos (dito “primeiro” mundo, ao qual a gente queria pertencer quando crescesse) está de cabeça pra baixo! Tudo isso parece longe, mas não está.
Ocorre que chegamos a um entroncamento, em que o futuro das sociedades modernas está sendo moldado. Lá como cá, muita coisa depende das escolhas que estão sendo feitas agora. Nas eleições municipais do Rio de Janeiro, a diferença entre o primeiro e o segundo colocados nas intenções de voto é a diferença entre um projeto político que pensa no cidadão, no ser humano (leia-se: Marcelo Freixo), e outro que se pauta no que convém ao famoso “mercado” (trocando em miúdos, o lucro de banqueiros e empresários), colocando o cidadão em terceiro plano (leia-se: Eduardo Paes).
Tenho um amigo oceanógrafo, que trabalhou anos na Halliburton e me garante que o Rio de Janeiro está sentado em cima de duas Arábias Sauditas de petróleo. Bancos, empreiteiras, companhias de petróleo, esses são os que querem bairros históricos arruinados para dar lugar a espigões de 70 andares (que se dane o caos no trânsito, essa galera anda de helicóptero!). Esses são os que querem a classe média expulsa da zona sul, que ela ceda os lares para os novos milionários estilo “Dallas”. Esses são os que querem “aquela gente favelada” despachada para longe, muito longe daqui. E esses, muito naturalmente, são os que financiam as campanhas eleitorais multimilionárias dos “síndicos” que estão articulando esse despejo, essa “higienização” do Rio. Os donos do capital são a turma que banca o projeto de perpetuação no poder do trinômio (governista de corpo, tucano de alma) Paes-Cabral-Pezão, tudo em troca de… aí é com vocês, leiam as manchetes sobre terrenos “doados”, licitações “dispensadas”, e cheguem às suas conclusões.
O carioca tem agora, de mão beijada, a chance de interromper esse processo. Esse destino não é inevitável! Porque foi assim no resto do mundo, porque lá o pessoal dormiu no ponto e deixou que as corporações dominassem o Estado, não quer dizer que isso precise se repetir aqui! O poder de não eleger aqueles que têm o rabo preso trata-se de um enorme poder. É vital que a gente nunca perca isso de vista. Foi o derrotismo, a falta de crença na política, que permitiu que o mundo chegasse onde está, com os 99% gritando pelas ruas que não se sentem “representados.” Eu também não me sinto representada! Por isso estou batalhando pra ajudar quem me representa a chegar lá, onde as decisões que afetam a minha vida são tomadas.
Enfim. Eu amo o Rio de Janeiro, descontraído, misturado, onde as classes sociais dividem os mesmos espaços, fazem a unha no mesmo salão, tomam cerveja gelada no mesmo boteco. É um privilégio que nenhuma outra cidade do mundo tem igual, que faz o Rio realmente especial. Nós chegamos aqui antes dos novos milionários, nós somos mais numerosos, e nós temos que resistir à descaracterização da nossa cidade, do espírito carioca! Quero um prefeito que priorize as pessoas sobre o dinheiro: Marcelo Freixo, no coração e nas urnas, rumo ao segundo turno, e vamo que vamo!
KIKA SERRA É CO-PRODUTORA DO PODCAST ANGLO-TUPINIQUIM CAIPIRINHA APPRECIATION SOCIETY, QUE LEVA PARA O PÚBLICO INTERNACIONAL A MÚSICA BRASILEIRA POUCO EXPLORADA PELA MÍDIA. NO INTUITO DE PAGAR AS CONTAS, TAMBÉM É ASSESSORA DE COMUNICAÇÃO, ROTEIRISTA DE DOCUMENTÁRIOS E FAZ A EVENTUAL TRADUÇÃO.