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motivo_38_/ PELA REJEIÇÃO DO PROJETO DE CENTRO DIREITA_/

Eu fecho com o Freixo porque ele defende a gestão pública da saúde e educação, com a valorização da classe dos servidores.
Meu nome é Beatriz, tenho 36 anos, sou mãe e economista, entre outras coisas. Mesmo muito nova, vivi o ambiente político dos anos 80, a esperança que pulsava com o processo de redemocratização brasileiro. Filha de um brizolista, apaixonado pela causa da universalização da saúde e educação – meu pai sempre estudou em escola pública e quase obrigou minha mãe a me parir em hospital público, por princípio -, assisti, até 1989, a um rico debate em torno de projetos políticos claramente identificáveis, da esquerda à direita. Nossa Constituição Federal de 1988 foi o último suspiro desse sonho: instituía a universalização da saúde, as contribuições sociais para financiamento da seguridade, definia uma carta alinhada à idéia de estado de bem estar social.
O início dos anos 90 foi o primeiro golpe à esperança, mas a inquietação me levou à faculdade de economia alguns anos depois. Fim dos 90, outro golpe: crises internacionais que desembocaram no malfadado Consenso de Washington e na predominância das idéias liberais. Dizer-se de “esquerda” passou a ser palavrão, coisa de “dinossauro”. Nossa tão preciosa Constituição Federal de 1988 não resistiu ao desmonte, com a focalização das políticas sociais, na prática, e a institucionalização da austeridade fiscal. À injustiça pelo lado dos serviços públicos somou-se uma carga tributária cada vez mais regressiva, em que pobres pagam mais de 50% de sua renda em impostos e ricos menos de 25%. Anos 2000, o golpe derradeiro: o maior partido dito de esquerda chega ao poder e se rende ao mesmo projeto político de centro-direita.
Fecho com Freixo porque ele representa o renascimento do debate em torno desses ideiais. Porque defende a gestão pública da saúde e educação, com valorização da classe de servidores, e defende usar o IPTU (imposto sobre propriedade) para corrigir em alguma medida a regressividade da carga tributária. Fecho com Freixo porque sonho com meus filhos sentados num banco de escola pública e assistidos por médico servidor público. Porque sonho com meus filhos envolvidos com política. Porque meu coração bate muito mais forte ao ouvir o Francisco, de apenas 8 anos, interessado em sua candidatura. Bate mais forte ao ver três mil jovens reunidos na Cinelândia, trazendo de volta aquelas memórias, da Bia em 1982.
BEATRIZ MEIRELLES É ESPECIALISTA EM FINANÇAS PÚBLICAS E POLÍTICA FISCAL, FILHA DA GERAÇÃO ANOS 80, MÃE DA GERAÇÃO ANOS 2010