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motivo_33_/ POR UM OUTRO PROJETO DE CIDADE_/

As organizações vivas da sociedade reivindicam um outro modelo de cidade, onde os espaços urbanos não sejam vistos como produtos a serem vendidos.
A candidatura Marcelo Freixo representa nada menos do que devolver o Rio aos cariocas. Significa a luta por um modelo de cidade pensado em função do bem estar do próprio cidadão, ao invés do planejamento urbano voltado apenas e tão somente aos interesses de grandes grupos econômicos.
Com a crise socioeconômica do hemisfério norte, o capital internacional passa a enxergar os países “emergentes” do sul como a nova fronteira da expansão desmesurada de seus lucros. O Rio de Janeiro ocupa hoje posição central na aplicação de um projeto de cidade moldado para as metrópoles do sul do planeta. Por isso, na disputa pela prefeitura do Rio, o que está colocado é muito mais do que uma proposta de gestão.
Não é à toa que a cidade está recebendo tantos megaeventos (Olimpíadas, Copa do Mundo, Rio+20, Rock’n’Rio, Encontro Mundial da Juventude Católica, Copa das Confederações, Jogos Mundiais Militares, etc). Esses eventos alavancam a cidade para um processo de reformulação urbana, vasto e elitista. Enganam-se os que ainda pensam que são só as favelas as que estão sendo removidas. Com o encarecimento brutal do custo de vida, uma verdadeira diáspora se dá na cidade – legiões de cariocas estão abandonando os bairros onde cresceram, em busca de uma vida economicamente viável.
Até as famosas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – independente dos méritos que há na expulsão de traficantes e na redução da letalidade – estão inseridas nesse projeto elitista de cidade. Estão, em sua maioria, instaladas nas regiões que receberão os megaeventos. Muitos moradores das comunidades com UPP também migram para longe, incapazes de arcar com os novos custos. Cresce a militarização da cidade, não acompanhada de uma ocupação sólida de políticas sociais.
Não é por acaso que a aliança proposta pela candidatura Marcelo Freixo é com a sociedade civil. As organizações vivas da sociedade, que orbitam em torno desse projeto político inovador, reivindicam um outro modelo de cidade, onde o espaço urbano não seja visto como produto a ser vendido, onde as mazelas sejam vistas como algo a ser solucionado, e não como algo a ser escondido. É por isso que o próprio Marcelo tem dito que as eleições deste ano, no Rio de Janeiro, vão determinar o futuro da cidade nos próximos 40 anos.
Mais do que nunca, é necessário lançar, nas ruas, a utopia que temos guardada dentro do peito. Em alguns de nós, ela estava quietinha, adormecida. Mas os discursos inflamados, as fitas amarelas, a alegria juvenil, e os sonhos coletivos têm trazido de volta, em todos nós, a rebeldia esquecida. E é dos nossos sonhos e das nossas causas que pretendemos tirar a matéria prima da mudança que o Rio quer e precisa. Tem sido bonito ver o Rio pintado de esperança. E vai ser bonito ver o Rio renascido do caos. Juntos, construiremos essa cidade feita de utopia. Porque a gente acha que, enfim, chegou a hora de fazer história.
LEANDRO UCHOAS É JORNALISTA, ATIVISTA, ROTEIRISTA E FLAMENGUISTA.