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motivo_28_/ PELA REINVENÇÃO DA ESQUERDA_/

Freixo construiu uma crítica importante ao modo como a esquerda brasileira se rendeu ao jogo político tradicional e propõe a reinvenção das alternativas de esquerda.
Eu apoio Marcelo Freixo por várias razões. É impossível escolher apenas uma. Mas tentarei algumas. Pessoalmente, e por que essa é a minha área de trabalho, tenho uma simpatia e uma admiração incrível por ele pelo modo como ele colocou o tema da criminalidade, da violência e da segurança pública no debate político.
Foi extremamente corajoso. Todos sabemos e conhecemos a forma como ele enfrentou as forças mais retrógradas – e perigosas – do Rio de Janeiro. Mas, nesse campo, seu maior mérito foi trazer o debate para o campo da democracia e da responsabilidade do Estado, apontando de forma muito clara quem são os sujeitos produtores da violência. E, assim, desnaturalizando o problema, mostrando a todos nós que a situação do Rio de Janeiro – e de muitas cidades brasileiras – finca suas raízes no plano político-institucional. Ele não foi o primeiro a fazer isso, mas, certamente, foi um dos únicos que tomou isso como parte de um projeto político transformador da cidade e das instituições, que pode trazer consequências para muito além do Rio de Janeiro.
Bom, além disso, é um cara que construiu uma crítica importante ao modo como a esquerda brasileira se rendeu ao jogo político tradicional e se dispôs, num esforço quase heróico, a ele mesmo ser parte desse movimento de reinvenção das alternativas de esquerda no Brasil. É um pequeno passo, mas de uma importância extraordinária. Poucos tentaram isso antes dele, todos fracassaram e, pior, ao recusarem o retorno ao PT, caíram todos nos grupos conservadores e, com isso, perdemos todos.
Finalmente, há anos eu esperava um/a político/a que enfrentasse o poder econômico de maneira direta e corajosa, sem precisar recorrer ao discurso ideológico – muito utilizado pelo PT, com pouquíssimas consequências práticas – e apontasse claramente para o modo como as nossas cidades vem sendo loteadas e destruídas em nome do lucro de uns poucos, graças à antidemocrática e antirepublicana aliança entre os representantes do poder municipal e os grandes empresários. Marcelo Freixo faz isso e, assim, nos ensina a todos que é possível ainda acreditar na política e na mudança social, graças à possibilidade de reunir, de uma forma quase libertária (e tão linda, tão linda!), as insatisfações, as idéias, as propostas e as movimentações de milhares de brasileiros/as inquietos/as que andam em busca de saídas socialmente justas e democráticas para o nosso país.
Se eu morasse no Rio de Janeiro, votaria em Freixo. Como não moro, peço voto para ele e torço para que, em breve, ele seja nosso candidato a presidente. Boa sorte, galera do Rio! Tô com vocês!
ANA PAULA PORTELLA É PESQUISADORA E CONSULTORA NA ÁREA DE GÊNERO, VIOLÊNCIA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA E INTEGRANTE DO GRUPO DIREITOS URBANOS/RECIFE.