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motivo_24_/ PELA REVISÃO DO CONCEITO DE RIQUEZA_/

Precisamos aprofundar a construção de uma nova forma de compreender, vivenciar e fazer política. E Marcelo Freixo está neste caminho, cheio de desafios.
Votarei no Freixo. E olha que não sou nem festivo nem miolo mole e, muito menos, Freixo é meu “queridinho”. Precisamos aprofundar a construção de uma nova forma de compreender, vivenciar e fazer política. E Freixo está neste caminho, cheio de desafios para os quais as teorias e metodologias de ação política estão, sob minha perspectiva, completamente despreparadas. Basta ver realisticamente o avanço do retrocesso em todo o mundo, malgrado as boas conquistas realizadas….
Pois sabemos bem que é muito mais frequente e comum do que gostaríamos que indivíduos, redes, organizações, partidos, movimentos sociais, projetos, produtos e planejamentos estratégicos, etc., sejam capturados pelos mesmos valores que querem ver superados no plano supostamente “social”. E, assim impregnados pela ignorância (mesmo que “culta”), pelo ódio (de si ou do outro) e pela gânancia (mesmo que seja pelo “poder” para “salvar o mundo”), apresentam atitudes insustentáveis e antidemocráticas na maneira como agem: por exemplo, recusando-se a encarar as razões e afetos históricos que têm impedido a unidade na diversidade das forças de transformação.
É assim, por exemplo, que a esquerda desenvolvimentista se recusa a rever o conceito ‘riqueza’ que ela quer produzir e distribuir para todos, esquecendo que está fazendo o jogo conservador, sim: lamentavelmente, na medida em que está cientificamente provado, pelo menos desde o início da década dos 70, que não existem recursos naturais para produzir, para todos, os bens e serviços dos segmentos ditos “desenvolvidos”.
Quando a crítica à insustentabilidade do estado mental chamado “crescimento ilimitado” voltou a ser socialmente aceita, uma vez que ele continua a se perpetuar, como vimos na Rio+20, e o ceticismo avança, face ao descrédito do intelectual, cooptado; do político, histriônico; do indivíduo, capturado; e da mídia, a por em cena a mediocridade ambiente “sem subjetividade, nem objetividade”, como observou Lukács, qual a principal convergência de ação?
A questão, portanto, é como converter o sucesso inicial em desencadeamento sistêmico de transformação política efetiva e continuada. A pista para a escolha desta estratégia está em compreender como as forças conservadoras conseguem avançar: através da ação psicológica para gerar efeitos políticos. Isto é claramente percebido pelos (1) velhos mediadores do coronelismo mediático, pelo (2) caráter panóptico da internet, pelos (3) estudos avançados de neurociência para fins políticos e mercadológicos e pela (4) história da guerra em sua atual geração: a da guerra psicológica, baseada no uso da informação para a inserção de falsidades garantindo o domínio na condução da ação pelo poder de decepção assim adquirido.
Votarei no Freixo, lembrando sempre que cada um de nós precisa fazer, em rede, a gestão de seu próprio território mental (de seu fluxo de pensamentos, afetos e percepções) para retirar deles as sequências mentais que alimentam inconscientemente o status quo. Caso contrário será, outra vez, mais do mesmo.
EVANDRO VIEIRA OURIQUES É COORDENADOR DO NETCCON.NÚCLEO DE ESTUDOS TRANSDISCIPLINARES DE COMUNICAÇÃO E CONSCIÊNCIA.ECO.UFRJ E SUPERVISOR DE PESQUISAS DE PÓS-DOUTORADO EM ESTUDOS CULTURAIS.PACC.UFRJ. DEDICA-SE À PSICOPOLÍTICA DA COMUNICAÇÃO E DA CULTURA, A SUA METODOLOGIA OPERACIONAL, A GESTÃO DA MENTE, E AO SEU CONCEITO CENTRAL, TERRITÓRIO MENTAL. RECEBEU EM 2010 O PRÊMIO DE MELHOR ACADÊMICO DO MUNDO, DO REPUTATION INSTITUTE, NY; EM 2011 O TÍTULO DE GUERREIRO ZULU, DA UNIVERSAL ZULU NATION; E, EM 2012, FOI ELEITO ACADÊMICO CORRESPONDENTE DA ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA. LIDERA OU É ASSOCIADO A QUATRO GRUPOS DE PESQUISA DO CNPQ E A QUATRO OUTROS NO CHILE, ESTADOS UNIDOS, PORTUGAL E INGLATERRA.TEM PUBLICAÇÕES EM DIVERSOS PAÍSES DO MUNDO E É CONSULTOR DOS TRÊS SETORES, INCLUSIVE DA ONU E UNESCO.