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motivo_09_/ PELO DEBATE INCLUSIVO_/

Freixo mobiliza as pessoas, as inclui no debate da cidade. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro tuitou: “Freixo é perigoso. Faz-nos voltar a acreditar na política”. 
Conheci Marcelo Freixo pessoalmente, no debate: Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos, promovido pelo Instituto de Planejamento Urbano eRegional da UFRJ (IPPUR) e pelo Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas. O debate, que ocorreu em abril de 2012, lotou o auditório do IPPUR . O extenso dossiê, lançado na ocasião denunciou: os mecanismos de transferência do patrimônio público para projetos de interesse do setor privado; os esquemas violentos de remoção forçada da população; a marginalização da pobreza; o profundo desrespeito aos direitos humanos de cidadãos e cidadãs do Rio de Janeiro, que têm sua cidadania negada; o legado da exclusão social como marca de uma administração que entende a cidade como um negócio, visando ao lucro em benefício de muito poucos.
A presença de Marcelo Freixo nesse debate – para além do conteúdo e da consistência de sua intervenção, provocou efeito inédito: a participação da Associação de Moradores da Maré a dialogar com a universidade.  Uma das representantes da Associação destacou: “estamos aqui do lado da UFRJ e é a primeira vez que debatemos um tema do nosso interesse,  nesse espaço. Geralmente, somos objeto de pesquisa”. Claro sinal do que estaria por vir, ao longo da campanha.
Algumas semanas após essa discussão, ainda no período que antecedeu o lançamento oficial da candidatura, Marcelo Freixo participou do “Roda Viva”, programa semanal de entrevistas, da TV Cultura. Essa entrevista teve grande repercussão das ideias e da trajetória de Freixo, em âmbito nacional.  Durante o programa, Freixo ocupou os “Top Trends” do twitter Brasil, com diversos comentários que ecoavam suas ideias e propostas.  O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro tuitou: “Freixo é perigoso. Faz a gente voltar a acreditar na política”.  Ele tinha razão.  Freixo tem a capacidade de mobilizar as pessoas, de incluí-las no debate sobre a cidade, como ficou evidente, desde o início da campanha.
Os debates que Freixo vem promovendo em todos os bairros do Rio, em universidades, associações e outros espaços também reúnem milhares de pessoas. É igualmente significativa a mobilização de boa parcela da militância, até então adormecida politicamente, nas redes sociais. Basta ver os diversos perfis do twitter, facebook, os vídeos produzidos espontaneamente e os debates com Freixo via twitcam, que têm contado com a participação de dois mil internautas, semanalmente. Esta é uma campanha com pouquíssimos recursos financeiros, já que não aceita financiamento de empreiteiras, nem faz alianças espúrias para uma vitória a qualquer preço. Porém, o engajamento de milhares de pessoas na discussão de um projeto coletivo de cidade não tem preço. É um patrimônio que não se compra.
O programa de governo é construído com a participação popular. “As propostas recebidas serão consideradas e, caso se adequem aos princípios que defendemos, serão imediatamente incorporadas, independente de onde venham”. Em agosto, o que era para ser uma Assembleia de “Jovens com Freixo”, foi espontaneamente transformada em comício, transferida da ABI para a Cinelândia, para abrigar os três mil jovens que compareceram ao evento. Uma das manifestações mais bonitas da campanha.
Moro no Rio há quase quinze anos, e nunca tinha visto nada parecido. Não apenas o que diz respeito às manifestações diversas, mas sobretudo ao debate coletivo de um projeto de cidade. Freixo nos ensina, na prática, o que propôs Boaventura de Souza Santos: é possível democratizar a democracia.
Por todas essas razões e, sobretudo, para que o debate sobre a cidade possa ter continuidade, em larga escala, o Rio precisa de um segundo turno. Debates semanais com Freixo via twitcam ocorrem aos domingos, às 19h. Nossa participação é fundamental.
A competição é muito desigual, o jogo é pesado. Mas como aprendemos com  Bertold Brecht: “Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar”.
VERA RODRIGUES É PSICÓLOGA E PSICANALISTA.